acessibilidade para deficientes visuais

Como aplicar a acessibilidade para deficientes visuais no varejo?

A legislação exige, mas dar mais condições para que pessoas com deficiência visual tenham boa experiência com sua marca é também uma forma de melhorar seus resultados

O Brasil tem mais de 500 mil habitantes cegos e outros 6 milhões com algum grau de deficiência visual severa. Se considerados todos os brasileiros que no mínimo precisam usar óculos, mais de 35 milhões de pessoas têm alguma dificuldade de visão. Ainda assim, o varejo deixa a desejar na inclusão desse público: lojas mal iluminadas, identificação ruim dos setores do PDV, ícones muito pequenos nos sites e aplicativos dificultam a experiência de compra e afastam os consumidores.

O Brasil tem uma legislação que assegura a autonomia das pessoas para ter uma vida digna. O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) traz regras para a inclusão social em áreas como saúde, educação, trabalho, esporte e transporte. No varejo, o despreparo dos lojistas gera prejuízos econômicos e mostram que uma série de necessidades básicas estão sendo negadas à população.

A questão é séria demais para ser deixada de lado, pois representa a perda de oportunidades de negócios e um prejuízo sério à imagem da marca. Detalhes aparentemente inofensivos podem gerar grandes problemas para consumidores com deficiência visual:

·        Despreparo no uso de screen readers: muitos consumidores têm que usar leitores de tela para navegar nos sites. Por isso, é preciso atentar para a descrição de cada imagem do site e preparar a equipe de atendimento para lidar com casos de clientes com deficiência visual.

·        Sites que só permitem navegação com o mouse: existem muitos motivos para que clientes naveguem em seu site sem um mouse, como visão limitada ou condições que dificultem o uso (Parkinson ou artrite, por exemplo). Ter um site que funcione sem um mouse é uma forma de atender mais clientes.

·        Cores que dificultam a leitura: esse é um detalhe que vale tanto online quanto offline. Consumidores com graus de daltonismo podem não conseguir identificar claramente as cores da setorização da loja, ou os produtos podem se confundir com a cor de fundo. Use ferramentas online para checar o contraste das cores.

·        Muita informação ao mesmo tempo: apresentar as informações de uma forma hierarquizada traz mais visibilidade. Isso vale para o site, mas também para a loja física. Muita informação gera mais ruído do que qualquer outra coisa.

Teoria que se transforma em prática

O uso de Inteligência Artificial, QR Codes e equipamentos especializados para pessoas com deficiência visual tem permitido que o varejo desenvolva várias ações voltadas à acessibilidade, tanto no Brasil como em outros países:

Tecnologia a favor do cliente

A rede americana de supermercados Wegmans desenvolveu um recurso para melhorar a experiência de compras dos portadores de deficiência visual. Em uma parceria com a startup Aira, que desenvolve sistemas de Inteligência Artificial e Realidade Aumentada, a supermercadista usou tecnologia para facilitar a orientação do público nas diversas áreas da loja. Ao entrar em uma loja da Wegmans, o cliente se conecta a um aplicativo e passa a ser direcionado na loja por um guia que está no escritório da startup e mantém contato com ele durante toda a visita ao ponto de venda. O sistema também permite a orientação a partir de óculos inteligentes, para que o guia visualize os itens das gôndolas da seção em que o cliente está.

Na farmácia

Também nos Estados Unidos, o Walmart equipou 1.200 de suas farmácias com equipamentos que ajudam deficientes visuais a identificar os produtos que estão comprando. O ScripTalk é um sistema que lê as informações do produto em voz alta para o cliente, incluindo nome, número da receita, dosagem e instruções de uso. As farmácias do Walmart colocam uma etiqueta RFID nos produtos para que o sistema possa fazer a leitura. A varejista vem expandindo o uso do ScripTalk de acordo com as solicitações dos clientes.

Mais autonomia no PDV

A Skol lançou no primeiro semestre deste ano um carrinho de compras acessível para ajudar as pessoas com deficiência visual a fazer suas compras em supermercados. Testado na cidade de São José (SC), o projeto foi realizado em parceria com a Associação Catarinense de Integração ao Cego (Acic). As lojas que participaram do programa foram mapeadas e contam com QR Codes no teto, que se conectam com o carrinho acessível por meio de WiFi.

O carrinho utiliza Inteligência Artificial para se adaptar às necessidades dos usuários conforme os testes acontecem e possui sensores que ajudam o usuário a desviar de obstáculos como gôndolas, lixeiras e pessoas. Os produtos cadastrados no sistema são identificados também em Braille e, para navegar no PDV, fone de ouvido e microfone permitem que o usuário converse com a Inteligência Artificial. No final da compra, o sistema dirige o cliente para o caixa preferencial.

O varejo tem muito a ganhar com a adoção de ferramentas, sistemas e toda uma abordagem de inclusão das pessoas com deficiência visual. Contar com um design inclusivo, tanto na loja física quanto no online (web, mobile e app), é importante não somente porque faz com que o ponto de venda seja mais atraente a consumidores com deficiência visual, mas também porque cria um ambiente de varejo em que a experiência de compra se torna mais simples, amigável e atraente.

No ambiente online, um design com linhas mais simples faz com que as páginas sejam carregadas mais rapidamente. Em uma loja física, uma identificação clara de cada setor do PDV facilita a navegação de todos os clientes. Esses são alguns exemplos de acessibilidade que, na realidade, podem ser consideradas boas práticas de design de varejo. Com elas, as empresas podem se assegurar de que solucionem problemas de clientes com deficiência visual e, ao mesmo tempo, entreguem experiências relevantes para todos os consumidores.

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