Startups miram o varejo alimentar

Aceleradoras, investidores-anjo, chatbotbig datalawtechslabs, inteligência artificial, internet das coisas ou IoT… Este vocabulário tecnológico tem se tornado cada vez mais familiar em vários setores da economia e, como não poderia deixar de ser, também no segmento varejista. Tais palavras vêm a bordo das startups, empresas geralmente de pequeno porte, mas com grande potencial de crescimento, criadas com o objetivo de desenvolver soluções tecnológicas, acessíveis pela internet, versáteis e possíveis de serem aplicadas em larga escala.

Embora nos segmentos de comércio eletrônico (ecommerce) e financeiro (fintechs) as startups sejam mais numerosas e com ampla gama de soluções, já consolidadas ou em andamento, o grande potencial do setor supermercadista, principalmente no mundo virtual, atrai um número crescente de investidores, inventores, ex-executivos, nerds e empreendedores.

Novas ideias surgem desde em conversas de bar até em competições específicas e trazem, como uma das grandes vantagens, a possibilidade de o varejista avançar em termos tecnológicos sem necessariamente fazer investimentos de porte. O relatório Retail Trends 2018, do Grupo Gouvêa de Souza (Grupo GS&), diz que “contratar uma startup hoje parece ser o caminho mais democrático para que o varejo possa inovar”.

Para o CEO e fundador da Zaply — startup que desenvolveu um serviço de busca de preços para supermercados —, Bruno Ely, as startups são as “produtoras de oxigênio” nas empresas já consolidadas. “As grandes redes de supermercados têm maior dificuldade de inovar e de adotar uma cultura de inovação”, continua Ely. “Por isso, essas pequenas empresas tecnológicas fazem o papel complementar, de investir e oferecer iniciativas a baixo custo que, embora ainda não tenham a certeza de resultado, quando alcançam o sucesso, trazem, além de avanços tecnológicos, redução de custos, eficiência e novos canais de atendimento, como os supermercados on-line, por exemplo”, diz o empreendedor.

Inovação a baixo custo, aliás, é a palavra de ordem em tempos de crise econômica. Um dos fundadores da Propz — empresa de inteligência analítica e rentabilidade para o varejo —, Israel Nacaxe, lembra que o cenário atual é bem diferente, por exemplo, daquele dos anos 2012 e 2013, quando o consumo estava em alta, a economia crescia e havia farta concessão de crédito. “Naquela época, o varejo nadava de braçada”, relembra.

Com a crise, a situação de bonança se inverteu e a maneira de ganhar mercado passou a ser avançar em Market share, ou seja, abocanhar fatias da concorrência. “E isso demanda inovação, tecnologia e melhoria de processos, e as startups são uma alternativa”, comenta Nacaxe. E elas agem rápido, conforme o relatório do Grupo GS&, que diz que as startups já oferecem um sortimento incrível de soluções para o mundo do varejo, com foco em áreas que vão desde a atração e retenção de consumidores, no ponto de venda ou na loja on-line, passando por diversas questões de operação e até mesmo melhorando e ampliando a experiência de compra do consumidor.

“Praticamente para todos os tipos de dores atuais do varejo existe pelo menos uma solução sendo proposta para o mercado”, cita o relatório. O nicho de startups para o setor supermercadista vem crescendo de dois anos para cá, confirma o diretor executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Rafael Ribeiro, em um mercado que, no Brasil, conta com cerca de sete anos de existência. “Os avanços maiores têm ocorrido nos segmentos de comparação de preços e controle de logística, estoques e financeiro”, diz Ribeiro. “Os donos de redes varejistas estão mais abertos [às startups] e passaram a entender que, de fato, esses negócios não estão chegando para tirar o espaço de ninguém, e sim para colaborar”, diz. Atualmente, das mais de seis mil startups filiadas à associação, quase 100 delas atuam no mercado de varejo e atacado.

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