varejo farmacêutico

Varejo farmacêutico: como se preparar para as tendências de mercado?

Da oferta de serviços à digitalização dos negócios, conheça 7 tendências que irão transformar o varejo farmacêutico brasileiro nos próximos anos

O varejo farmacêutico é um dos poucos setores que vê crescimento independente do cenário econômico. Em 2018, por exemplo, as vendas do setor cresceram 11,76% sobre o ano anterior, para R$ 120,3 bilhões, quase quatro vezes o crescimento do varejo. Nos últimos anos, a tônica tem sido de crescimento anual de dois dígitos. As vendas de medicamentos, mais especificamente, chegaram a R$ 57 bilhões, com 162 bilhões de doses comercializadas.

Nos últimos anos, as farmácias avançaram fortemente no Brasil, com uma grande expansão das lojas físicas e a oferta de itens de perfumaria e dermocosméticos fazendo com que os pontos de venda se tornem cada vez mais relevantes no dia a dia da população. Os próximos cinco anos, porém, verão transformações ainda maiores no varejo farmacêutico: o impacto do digital sobre os negócios, o avanço em novas categorias de produtos, a oferta de serviços e várias outras tendências estão se alinhando para gerar grandes mudanças no mercado.

Entre as principais tendências que irão impactar as redes de farmácias no futuro próximo estão:

Comunicação digital

A digitalização das relações humanas é uma das grandes forças de transformação dos negócios. Na era digital, todos os consumidores são comunicadores e falam sobre suas experiências. Com isso, exercem uma influência cada vez maior sobre as decisões de compra de outras pessoas. Quem nunca acessou um site de reviews para conferir a opinião dos clientes sobre um restaurante? Mesmo que sua marca não tenha um canal oficial online, ela já está no ambiente digital. Com isso, o relacionamento com os clientes começa muito antes que o consumidor entre no PDV.

A força do e-commerce

As vendas online vêm crescendo em ritmo acelerado em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, o e-commerce cresceu 12% em 2018 e movimentou R$ 53,2 bilhões, enquanto as vendas totais do varejo avançaram 2,8% e, mesmo assim, foram o melhor desempenho dos últimos quatro anos. Os canais online são cada vez mais relevantes e não poderia ser diferente para o varejo farmacêutico. É preciso ter uma estratégia online bem estabelecida e utilizar os dados coletados nos meios digitais para aprofundar o relacionamento com os clientes em todos os pontos de contato, sejam eles físicos ou não.

Serviços farmacêuticos

As farmácias irão se deixar de ser, nos próximos anos, lugares para a venda de medicamentos e se transformarão em centros de serviços de saúde, com clínicas, exames laboratoriais, óticos e de beleza. A flexibilização das leis também deverá permitir, no varejo farmacêutico, a oferta de novas categorias de produtos, como alimentos, fazendo das farmácias verdadeiras lojas de conveniência.

Tanto a maior oferta de produtos quanto o avanço dos serviços terão como resultado um melhor aproveitamento do ponto de venda e sua rentabilização. Outra consequência será uma maior diversificação dos modelos de negócios, já que será possível desenvolver diferentes níveis de serviços nas redes de lojas, de acordo com as características dos mercados locais. Os serviços passarão a ser parte importante das receitas das farmácias.

A transformação do PDV

Gradualmente, os pontos de venda estão se transformando em algo mais. A possibilidade de comprar online, com segurança, praticidade e rapidez, tem feito com que a loja física adquira outras características para além da venda de produtos. Assim, estão se transformando em pontos de experiência, educação, informação, relacionamento, alimentação, serviços, entretenimento e lazer. O varejo farmacêutico não está imune a essa tendência: o consumidor pode comprar online e receber em poucas horas em casa, e com isso só vai à loja física se obtém algo mais: se informar, ser encantado, estar em contato com outras pessoas. O produto a ser comprado é quase um acessório nesse processo.

Tecnologia na saúde

Todo o ecossistema da saúde está sendo profundamente transformado pelo uso de tecnologia. Embora existam questões de privacidade a serem resolvidas, eventualmente os dados de um paciente se tornarão centralizados, padronizados e compartilháveis. Isso permitirá que o varejo farmacêutico forneça aos clientes insights, diagnósticos e predições personalizadas sobre sua saúde. Dispositivos de monitoramento, como pulseiras inteligentes e aplicativos no celular, fornecerão dados que, processados por algoritmos de Inteligência Artificial, colocarão o paciente no centro das decisões sobre sua própria saúde. Para o varejo, abre-se a oportunidade de participar do relacionamento com o cliente muito antes da compra, entregando serviços e agindo de forma proativa, antecipando-se aos hábitos de consumo.

Prescrições eletrônicas

Uma parte importante do uso de tecnologia no setor é o fim das prescrições de medicamentos escritas à mão. Essa forma analógica de receitar medicamentos gera inúmeros erros de dispensação nas farmácias e erros dos pacientes, o que aumenta os custos e, principalmente, pode gerar sérios problemas de saúde com o uso de medicamentos incorretos ou em dosagem errada. O uso de receitas médicas digitais, com informações padronizadas, digitadas e compartilhadas em rede, resolve esses problemas e permite que, na farmácia, a equipe da loja acesse as informações vinculadas ao paciente e entregue os medicamentos corretos.

Direct to consumer (D2C)

Para toda tendência existe uma contratendência. Ao mesmo tempo em que o varejo farmacêutico assumirá funções além da venda de produtos, a indústria ganha a possibilidade de se relacionar diretamente com o consumidor, aumentando a competitividade no mercado. Uma estratégia direct-to-consumer (D2C) permite que os laboratórios apresentem seu sortimento de forma completa (o que não é possível nas lojas do varejo, que focam nos itens que geram melhores resultados), personalizem produtos e serviços, controlem o tom e o tema da comunicação com os consumidores e, por meio de marketplaces, ganhem tração nas vendas online sem disputar os mercados tradicionais, ocupados pelos parceiros varejistas. O investimento da indústria em canais D2C é uma tendência, pois permite que elas entendam melhor seus clientes, oferecer produtos exclusivos e comunicar melhor a personalidade de suas marcas.

Para lidar com todas essas transformações, o varejo farmacêutico precisa passar por uma mudança importante de mentalidade. Nesse novo mindset, as farmácias deixam de ser um ponto de venda e se transformam em um ponto central na saúde das pessoas. Para o varejo prosperar nesse novo ambiente, é preciso posicionar os negócios de forma omnichannel, entendendo as interações do consumidor com a marca e aproveitando toda oportunidade para ser relevante para os clientes.

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